Fábrica Bangu

As fábricas de tecido estão diretamente ligadas à criação de bairros operários, vilas, clubes, escolas, hábitos de consumo e uma cultura ligada à moda. A Companhia Progresso Industrial do Brasil, instalada numa área da Fazenda Bangu, perto de Campo Grande, na zona Oeste do Rio de Janeiro, foi fundada em 1889. Ao final do século XIX, a fábrica estava localizada perto de água abundante, fornecida pelas cachoeiras da região, e com fácil acesso à linha férrea, nas proximidades de Realengo.

Vista aérea da Fábrica Bangu, 1940. Escola de Aeronáutica do Exército

Em torno da fábrica surgiria o bairro de Bangu, cujo nome foi identificado também com a própria Companhia Progresso Industrial, apelidada de Fábrica Bangu. A empresa promoveu uma série de investimentos na área social e esteve envolvida na construção de creches e conjuntos de moradias destinados aos trabalhadores, além de ter relação direta com o Bangu Atlético Clube, fundado em 1904.

Nos primeiros anos, a tecelagem da fábrica produzia apenas morins e chitas, elevando rapidamente seu ritmo de produção. Nas décadas seguintes, diversificou seu catálogo e, em 1911, oferecia 68 tipos diferentes de tecidos, consolidando-se como uma das mais importantes produtoras da indústria têxtil do país.

No início do século XX, a fábrica participou da Exposição Nacional de 1908 que aconteceu na Praia Vermelha,  no bairro da Urca, reunindo enormes pavilhões, dedicados aos estados brasileiros, às Forças Armadas e aos principais setores da economia nacional. Organizada para celebrar o centenário da abertura dos portos, decretada por D. João VI, a Exposição Nacional, realizada na Praia Vermelha, foi uma mostra das ambições do governo republicano em promover o progresso e o desenvolvimento, tendo o Rio de Janeiro como vitrine desse projeto.

O principal objetivo da Exposição Nacional de 1908 era divulgar obras de arte, produtos manufaturados e avanços tecnológicos da ainda incipiente indústria brasileira, em pavilhões monumentais. A Companhia Progresso Industrial do Brasil, ou simplesmente Bangu, aproveitou essa oportunidade para mostrar a qualidade e a diversidade dos seus tecidos, contribuindo para a valorização das tecelagens brasileiras. Museu Histórico Nacional

Pavilhão da Fábrica Bangu, na Exposição Nacional de 1908, Augusto Malta. Museu Histórico Nacional

Nos primeiros anos da década de 1920, a Fábrica Bangu entrou numa nova etapa de sua trajetória com a posse do médico Guilherme da Silveira na presidência. Sob sua administração, acompanhado dos filhos Guilherme da Silveira Filho e Joaquim Guilherme, conhecidos como os Silveirinhas, a tecelagem ganhou novo impulso, ampliando sua atuação tanto no campo industrial quanto na gestão de seus empreendimentos.

No pós-guerra, a Bangu investiu em modernização tecnológica. Comprou maquinário norte-americano, “máquinas de mercerizar, estampar, chamuscadeiras que nos permitiam um acabamento mais nobre, mais moderno”, conta Carlos Guido Del Soldato, então diretor técnico da empresa. “Ao mesmo tempo”, ele continua, “começaram a aparecer novos tipos de corante que reagiam muito bem com a fibra de algodão. Então, com aquelas máquinas e aqueles corantes foi possível apresentar uma variada gama de tecidos de fino acabamento”.

A aposta no algodão fazia sentido tanto por sua origem nacional quanto por sua adaptação ao clima tropical. Sendo, porém, uma fibra associada a roupas íntimas e peças consideradas simples ou rústicas, o algodão precisava ser reposicionado no imaginário do consumidor. Modernizar a produção não seria suficiente. Era necessário construir uma nova apresentação para esse tecido, enfatizando sua elegância, sofisticação e excelência técnica.

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