Indústria Têxtil

A indústria têxtil produz a base material da moda. Fios, algodões, sedas, chitas, tecidos estampados, brins, malhas, aviamentos, fibras artificiais e sintéticas. Na medida em que a indústria têxtil nacional se fortalece, a moda brasileira se torna cada vez menos dependente  da importação de tecidos e de se fazer uma cópia direta de modelos europeus.

Companhia Petropolitana de Tecido, fábrica no bairro de Cascatinha, em Petrópolis, fotografia de Marc Ferrez, c. 1885, Instituto Moreira Salles

Em 1922, no Rio de Janeiro, em meio às comemorações do Centenário da Independência, a Grande Exposição de Tecidos de Algodão deu visibilidade à indústria têxtil. Organizada pelo Centro Industrial do Brasil, a exposição revelava o peso econômico e simbólico — por ser uma fibra historicamente plantada e produzida no Brasil — que o algodão assumia no projeto de modernização do país. A crise econômica dos anos 1930 e, em seguida, a Segunda Guerra Mundial, dificultaram as importações de produtos estrangeiros — dentre eles, panos e fazendas de alta-costura —, o que, por sua vez, abriu espaço para a expansão das indústrias nacionais de tecidos e de confecção. 

Visão noturna da exposição comemorariva do centenário da independência do Brasil, Rio de Janeiro, Photo Bippus, 1922, Biblioteca Nacional

Na década de 1940, a Indústria Química e Têxtil brasileira vivia uma fase de forte expansão e era tratada como um setor estratégico para a economia nacional. Nesse contexto, o Rio de Janeiro era o principal polo têxtil do Brasil e um dos mais importantes da América Latina.

Fortalecida pela produção interna e pelas exportações durante a o período da Segunda Guerra Mundial, a indústria têxtil brasileira pretendia avançar sobre o mercado de tecidos finos, usados na confecção de roupas de luxo e ainda associados à produção estrangeira. Por outro lado, as viagens ao exterior tornaram-se mais acessíveis às classes médias e altas, seduzidas pelo dinamismo dos Estados Unidos e pelo glamour de Hollywood, só fazendo aumentar a influência da moda estrangeira. Enquanto as fábricas nacionais buscavam sofisticação e prestígio no mercado interno, a indústria norte-americana apresentava tecidos sintéticos e de fácil manutenção, capazes até de dispensar o ferro de passar. 

Anúncio da Fábrica Bangu no jornal A Noite, 23/06/1952

Entre os tecidos produzidos no Brasil, aqueles feitos de algodão receberam atenção especial. O algodão era leve e adequado ao clima tropical, e passou a ser a fibra mais cultivada no país.

Entretanto, a indústria têxtil brasileira tinha pela frente o desafio de conquistar o público interno. Acostumadas a associar qualidade à procedência europeia, as classes altas não tinham o hábito de usar tecidos nacionais – a despeito da beleza, da boa qualidade e do bom acabamento dos artigos brasileiros. Evidentemente, o obstáculo era também simbólico, sustentado por uma ideia de elegância que tinha como padrão de prestígio os produtos estrangeiros.

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