Indústria Têxtil
A indústria têxtil produz a base material da moda. Fios, algodões, sedas, chitas, tecidos estampados, brins, malhas, aviamentos, fibras artificiais e sintéticas. Na medida em que a indústria têxtil nacional se fortalece, a moda brasileira se torna cada vez menos dependente da importação de tecidos e de se fazer uma cópia direta de modelos europeus.

Em 1922, no Rio de Janeiro, em meio às comemorações do Centenário da Independência, a Grande Exposição de Tecidos de Algodão deu visibilidade à indústria têxtil. Organizada pelo Centro Industrial do Brasil, a exposição revelava o peso econômico e simbólico — por ser uma fibra historicamente plantada e produzida no Brasil — que o algodão assumia no projeto de modernização do país. A crise econômica dos anos 1930 e, em seguida, a Segunda Guerra Mundial, dificultaram as importações de produtos estrangeiros — dentre eles, panos e fazendas de alta-costura —, o que, por sua vez, abriu espaço para a expansão das indústrias nacionais de tecidos e de confecção.

Na década de 1940, a Indústria Química e Têxtil brasileira vivia uma fase de forte expansão e era tratada como um setor estratégico para a economia nacional. Nesse contexto, o Rio de Janeiro era o principal polo têxtil do Brasil e um dos mais importantes da América Latina.
Fortalecida pela produção interna e pelas exportações durante a o período da Segunda Guerra Mundial, a indústria têxtil brasileira pretendia avançar sobre o mercado de tecidos finos, usados na confecção de roupas de luxo e ainda associados à produção estrangeira. Por outro lado, as viagens ao exterior tornaram-se mais acessíveis às classes médias e altas, seduzidas pelo dinamismo dos Estados Unidos e pelo glamour de Hollywood, só fazendo aumentar a influência da moda estrangeira. Enquanto as fábricas nacionais buscavam sofisticação e prestígio no mercado interno, a indústria norte-americana apresentava tecidos sintéticos e de fácil manutenção, capazes até de dispensar o ferro de passar.

Entre os tecidos produzidos no Brasil, aqueles feitos de algodão receberam atenção especial. O algodão era leve e adequado ao clima tropical, e passou a ser a fibra mais cultivada no país.
Entretanto, a indústria têxtil brasileira tinha pela frente o desafio de conquistar o público interno. Acostumadas a associar qualidade à procedência europeia, as classes altas não tinham o hábito de usar tecidos nacionais – a despeito da beleza, da boa qualidade e do bom acabamento dos artigos brasileiros. Evidentemente, o obstáculo era também simbólico, sustentado por uma ideia de elegância que tinha como padrão de prestígio os produtos estrangeiros.
